segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

NOSSAS ORIGENS

 

       


Desde pequena ouvíamos nosso avô paterno e também nosso pai, falarem sobre Lucca, uma cidade italiana na região da Toscana de onde nos fins do século XIX, nossos bisavós Angelo e Rosa vieram para o Brasil em busca de novas oportunidades.

Um cunhado de Angelo já havia feito esta mesma viagem e isso estimulou o casal a imitá-lo.

Com eles veio o primogênito Casemiro. Os demais filhos nasceram no Brasil.

Lembro-me que avô Adolpho dizia que quando ainda era bem menino a família retornou à Lucca, mas optaram mesmo por fixar residência no Brasil, especificamente em Rio Claro/SP, e para lá mudaram-se definitivamente após um tempo na cidade italiana.

Ficava evidente o desejo de Adolpho e também de meu pai, de conhecerem esta cidade italiana, mas naqueles tempos era realmente um sonho impossível devido às dificuldades na viagem, dificuldades na comunicação e financeiras obviamente.

Cresci com uma Lucca imaginária na mente. 

Sempre fui muito interessada em História, e em se tratando da história de minha família então, esse interesse triplica! Com certeza isso se passa também com os demais membros da família.

Anos se passaram e com eles quase um século e meio desde a vinda do casal ao Brasil.

Nos meses finais de 2023 começamos a esboçar e programar uma possível realização deste sonho.

Graças ao empenho de minha cunhada Selma e a colaboração de todos, em especial de meu sobrinho, passo a passo fomos planejando tão almejada viagem.

No último mês do ano, precisamente em dezembro, o que me parecia inviável aconteceu.

Aproveitando nossa estada em terras lusitanas onde atualmente meu irmão e família residem, partimos com destino a Lucca, passando no caminho pela bela Milão e a indescritível Florença. Infelizmente as duas mais novas da família, Carolina e Luíza, não puderam nos acompanhar em função de compromissos profissionais.

Já na estrada a visão dos primeiros outdoors com propagandas do comércio na cidade, foram nos deixando cada vez mais ansiosos. A despeito de já termos visto reportagens e fotos dos locais, tudo nos parecia a mais pura novidade. 

Era como se estivéssemos entrando verdadeiramente no túnel do tempo.

Com auxílio da tecnologia e acesso a determinadas informações, conseguimos chegar à Igreja San Cassiano a Vico.

Primeira parada e primeira emoção.

Foi justamente nesta igreja que em 6 de outubro de 1892, Angelo Cerri desposou Rosa Marcucci.

O ponto de partida de nossas origens estava ali, diante de nossos olhos.

Uma igreja antiga como já esperávamos, simples e pequena, mas que causou em mim e com certeza aos demais da família, uma emoção imensa.

Diante do altar singelo e ao mesmo tempo grandioso para nós, a fantasia criou asas e não foi difícil imaginar o casal ali, iniciando nossa família.

Como gostaria que meu avô e meu pai estivessem conosco ali, naquele momento. 

Seria mais sublime ainda!

De posse de informações em documentos antigos, conseguimos também passar pelas ruas onde ambos moravam quando solteiros. Tudo era novidade, tudo era aperto no coração.

Permanecemos em Lucca por 3 dias e assim pudemos caminhar por locais onde nossos antepassados com certeza passaram, talvez já ansiosos e munidos de coragem planejando a travessia do Atlântico em busca de novas vidas.

Uma cidade medieval que conserva suas tradições e ao mesmo tempo caminha rumo ao futuro. Um lugar extremamente prazeroso onde cada cantinho nos conta uma história interessante.

Impossível não sentir que nossos bisavós nos acompanharam durante todo este passeio.

A visita a Lucca e a entrada na igreja San Cassiano a Vico, representam fatos dos mais marcantes em toda esta minha existência de mais de 7 décadas.

Retornamos às origens e vivenciamos nosso passado.

Sensação inesquecível!



Santos, 05 de fevereiro de 2024.



Obs: Meus agradecimentos a todos da família e em especial à Selma e ao Luís Fernando.





                                           Igreja San Cassiano a Vico - Lucca - Itália



                                   Sobrado da família Cerri - Rua 3 esquina da av. 8 - Rio Claro/SP
                                                          Ano: 1936

                              Ainda não havia nascido o último neto: Sérgio Francisco Cerri

.