sábado, 25 de julho de 2026

FOTOS


                       
    Gosto muito de ver e rever fotos. Fico olhando detalhes de cada cantinho quer seja paisagem, um momento em família, um passeio, etc.

     Se for em uma tela dou até zoom para analisar melhor.

    Às vezes recorro aos antigos álbuns Kassuga onde organizei fotos por muitos anos. Atualmente é mais prático e comum ver fotos digitalizadas.

    Cada cena sempre me transporta para uma história que vivi, que me contaram ou até foto de origem desconhecida, mas que com certeza carrega um fato importante por trás daquela imagem que tenha despertado a vontade do autor em eternizar o momento.

    Sempre me atenho aos detalhes curiosos e divertidos de cada cena.

    Dentre as imagens que tenho aqui arquivadas há uma foto antiga da década de 1940, onde meu pai ainda jovem aparece no interior de uma casa comercial de seu primo. Junto a ele há várias pessoas, mas uma em especial chama a atenção. Há um imenso borrão de tinta sobre seu rosto impossibilitando qualquer identificação.

    Nunca consegui que meu pai explicasse quem era e nem o motivo do borrão. Tenho entretanto total certeza que devia ser algum desafeto dele. Na época era assim que se lacravam pessoas em fotos. Hoje os recursos disponíveis são mais discretos.

    Tempos atrás escutei de um amigo uma história entrecortada por muita risada. Ele havia ido a um casamento muito elegante. Após a cerimônia os convidados foram recepcionados num sofisticado clube carioca.

    Havia uma mesa bem longa onde noivos e padrinhos sentaram-se diante das demais mesas menores. Aconteceu porém um detalhe que passou despercebido por todos. 

    Na parede bem atrás da cadeira onde o noivo se sentara, havia uma pintura bonita mostrando uma enorme árvore totalmente sem folhas, mas cheia de galhos secos.

    O fotógrafo descuidado não observou os detalhes que apareceriam ao dar seu clique. Quando finalmente as fotos foram reveladas (naquele tempo demoravam dias para sair o resultado) a posição do rosto do noivo cobria totalmente o tronco da árvore, mas em compensação toda a galharia aparecia enorme e vibrante sobre sua cabeça dando a exata impressão que o rapaz sustentava tudo aquilo. Isso ocorreu em quase todas as fotos da tal recepção. 

    Resultado: uma grande desavença entre a empresa contratada e o noivo que apesar das tentativas não conseguiu evitar que tais fotos viessem a público e caissem nas mãos de convidados. Uma gafe inesquecível.

   Mais recentemente a família reunida durante uma comemoração pascal foi fotografada para se guardar a lembrança de tal momento. 

     Assim que olhamos a imagem na telinha do celular as risadas foram inevitáveis.

    Não sei como e qual posição meu irmão adotou na hora do clique, mas a impressão que nos dá de imediato é que ele está de costas e com o rosto totalmente virado para quem fotografava. Não há como não lembrar do filme Exorcista onde Linda Blair virava assim o pescoço. Ficou uma foto bizarra demais.

    Ainda tendo meu irmão como protagonista, resolvi fazer uma foto do casal diante de um conhecido castelo medieval em Guimarães, Portugal. 

    Ao conferir o resultado notei com espanto, mas já rindo muito, que havia acabado de dar uma coroa a ele. O topo de uma parte do castelo ficou exatamente encaixado sobre sua cabeça como se ele estivesse literalmente coroado.

    Fotos nos contam histórias: às vezes doloridas trazendo saudades, outras hilárias nos fazendo rir, ou ainda prazerosas nos lembrando de passeios magníficos, mas com certeza todas eternizam momentos importantes de nossas vidas. 


Santos, 25 de julho de 2026 (Dia do Escritor)

Notas:

1.Ao meu pai Italo pela foto com borrão, ao amigo Roberto que viu a foto do noivo e ao meu irmão que sem querer nos fez rir com suas poses.

2.Infelizmente a foto do noivo galhado eu não possuo.



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