Nada como caminhar na praia sentindo o vaivém das águas do mar molhando os pés e parte das pernas.
Nestes dias de pleno verão a água vem morna e deliciosa.
Junte-se a essa sensação o cheiro do mar e seu barulho tão característico que nas madrugadas se faz ouvir com maior intensidade.
Levantando o olhar em direção ao horizonte os azuis se confundem: mal dá para distinguir onde termina o mar e onde começa o céu.
Os morros ao longe dão a tonalidade verde acastanhada na paisagem.
Erguendo mais ainda o olhar vê-se nuvens branquinhas, esparsas e que nos fazem imaginar formas e desenhos.
É uma verdadeira terapia a céu aberto.
Aliada a todas essas sensações muito agradáveis venho colecionando outras emoções que são verdadeiros gatilhos para minha imaginação e criatividade.
Refiro-me aos fragmentos de conversas que vou captando ao longo da caminhada.
Impossível ouvir as histórias todas, mas algumas frases soltas chamam a atenção.
Em algumas ocasiões os casos relatados estavam tão interessantes que senti vontade de me juntar ao grupo para saber como foi o The End.
Recentemente uma jovem alegre descrevia a uma amiga o que vivera numa festa onde conhecera um novo companheiro. Falava quase sem respirar de tanta euforia. Senti a alegria dela e fiquei feliz.
Um senhor preocupado contava problemas financeiros ao rapaz que caminhava ao seu lado. Fiquei a pensar: serão pai e filho? O rapaz é o causador do problema? E aí criei uma nova história em meus pensamentos já que não pude acompanhar o desenrolar do caso. Mentalmente dei um final feliz para a situação.
Claro que discussões também fazem parte do trajeto. E acredite são os fragmentos de conversas mais divertidos. Isso porque se o clima já estiver alterado os palavrões entram com frequência nas frases. Geralmente quem está levando a repreensão tenta se defender e aí o clima pesa mais ainda. Fico olhando os personagens se distanciarem e só observo seus gestos rápidos e irritados. Sorrio diante da situação já que nada posso fazer como mera espectadora.
Neste último domingo a emoção de pessoas cadeirantes entrando no mar talvez pela primeira vez me contagiou. Tive que parar um pouco os passos apressados para observar cenas que me emocionaram.
Perto do canal 3 em Santos (e sei que há também em outras cidades praianas) estava instalado o Programa Praia Acessível. Instrutores com as chamadas cadeiras anfíbias conduziam pessoas com deficiências até a água do mar.
Estas cadeiras são equipamentos desenvolvidos especialmente para dar suporte e segurança a quem tem mobilidade reduzida. Trata-se de um Programa de parceria entre Governos do Estado e da Prefeitura e já ocorre há alguns anos.
Impossível descrever a alegria e euforia que presenciei em cada rosto das pessoas a caminho do mar e já devidamente colocadas nas tais cadeiras. Os familiares acompanhavam ao lado e não sei quem mais se emocionava: os instrutores, os familiares, a pessoa sendo transportada ou eu, que de longe acompanhei as cenas.
Realmente a caminhada deste domingo foi rica. Rica em fragmentos de conversas e histórias que minha mente criou e principalmente pela emoção vivida nas proximidades do canal 3.
Obrigada a todos envolvidos no Programa Praia Acessível.
Santos, 02 de fevereiro de 2026.















