E não é que a história quase se repetiu?
Um fato ocorrido há anos com meu pai foi reproduzido parcialmente hoje em um supermercado.
Sr. Italo não fazia compras com frequência, mas a família não se esquece especialmente dos casos do açúcar e do óleo.
Para aproveitar uma promoção ele comprou de uma única vez, 100 quilos de açúcar.
Como não havia lugar suficiente para acomodar tudo, o jeito foi começar a distribuir a mercadoria entre os parentes, vizinhos e amigos.
Na época dos fatos o produto vinha em sacos de papel, o que desencadeou outro problema.
Com o passar do tempo o açúcar foi petrificando dentro dos pacotes exigindo grandes marteladas nos mesmos para que as pedras de açúcar fossem quebradas. Eram verdadeiras sessões de espancamentos que muitas vezes resultavam no rompimento do papel esparramando açúcar para todos os lados.
Por pouco não teve início a terceira guerra mundial já que minha mãe ficara indignada e enfurecida com aquela "singela" compra.
Tempos depois foi o óleo que entrou em promoção.
Lá foi o sr. Italo encher um carrinho com muitas latas de óleo. Ao descer a rampa de saída do supermercado não conseguiu segurar tal carrinho, que pesado demais, pegou muita velocidade indo parar somente ao bater na guia da calçada do outro lado da rua. Foi um grande susto.
Hoje revivi esta cena.
Após as compras dirigi-me para a saída onde há uma esteira rolante com razoável declive.
Na extremidade dianteira do carrinho coloquei 10 caixas de 1 litro de leite cada e algumas garrafas de refrigerantes. No espaço restante havia poucas mercadorias.
Ao iniciar a descida percebi de imediato que as rodas do carrinho não travaram. Com a mão direita eu segurava na borracha da esteira e com a esquerda tentava segurar as compras.
Fui vencida pelo peso e após dar uns três passos forçados me senti literalmente sendo puxada para baixo. Pensei em soltar a mão direita para ajudar, mas na hora conclui que seria pior, pois aí desceríamos eu e o carrinho.
Nesse momento vi um braço passar raspando ao lado esquerdo de meu rosto e na sequência vi uma mão me ajudando a segurar o carrinho.
Olhei instintivamente para trás e vi um senhor segurando as compras dele e num esforço segurava as minhas também. Assim ele ficou até o final da esteira.
Agradeci aliviada e mesmo assustada os pensamentos foram longe naqueles breves segundos, me fazendo rir de um quase desastre.
Bem próximo do final da esteira havia uma loja toda envidraçada.
Imaginei a cena e lembrei também de um vídeo que circula há tempos na internet onde um menino responde à pergunta sobre o que falou Cabral ao chegar ao Brasil.
Em pensamentos me vi arrebentando os vidros, entrando com carrinho e tudo e indo parar na frente do funcionário da loja.
Diante do espanto do rapaz eu diria a exemplo do menino do vídeo:
- Cheguei Brasil !!!
Santos, 25 de fevereiro de 2026
Nota: agradeço novamente ao senhor desconhecido que me socorreu na esteira rolante do supermercado.


















